Como migrar de hospedagem sem downtime
Migrar de provedor não precisa significar horas de site fora do ar. Este guia cobre o checklist completo: o que preparar antes, a ordem certa das operações, como validar depois e o que fazer se alguma coisa der errado.
Antes de começar: checklist de preparação
A maior causa de downtime numa migração não é a transferência de arquivos — é a falta de preparação do DNS e o esquecimento de algum serviço dependente (e-mail, subdomínios, integrações). Confirme cada item antes de tocar em qualquer configuração:
- Acesso confirmado ao provedor atual (FTP/SSH, painel, banco de dados) e ao novo provedor.
- Lista completa de subdomínios e registros DNS ativos (A, CNAME, MX, TXT/SPF, DKIM) — exporte a zona DNS atual antes de mudar qualquer coisa.
- Backup completo verificado: arquivos, banco de dados e, se houver, contas de e-mail.
- Certificado SSL identificado — se for Let's Encrypt, será emitido de novo no destino; se for pago, confirme se pode ser reemitido ou precisa ser reinstalado.
- Janela de baixo tráfego definida para a virada final do DNS.
- Todas as contas de e-mail do domínio listadas, se a migração incluir e-mail.
Reduza o TTL do DNS com antecedência
TTL (Time To Live) é o tempo que os resolvedores de DNS guardam em cache o endereço antigo. Se o TTL do seu domínio estiver em 24h (86400 segundos, o padrão em muitos provedores) e você mudar o DNS sem preparar isso, parte dos visitantes vai continuar caindo no servidor antigo por até um dia inteiro.
- Pelo menos 24–48h antes da migração, reduza o TTL dos registros A e CNAME do domínio para 300 segundos (5 minutos).
- Aguarde o TTL antigo expirar naturalmente — só depois desse período a mudança de TTL realmente já está propagada.
- Só então faça a virada final do DNS para o novo servidor.
- Depois que a migração estiver validada e estável (alguns dias), volte o TTL para um valor mais alto (1h a 24h) — TTL muito baixo permanente aumenta a carga nos servidores de DNS sem necessidade.
Com TTL de 5 minutos, o pior cenário é alguns minutos de inconsistência entre visitantes vendo o site novo e o antigo — não horas. É a única etapa desta lista que precisa ser planejada com dias de antecedência, não pode ser feita na hora.
Ordem das operações no dia da virada
Com o TTL já baixo e o novo ambiente pronto, a virada em si segue esta ordem:
- Suba os arquivos e o banco de dados para o novo servidor, sem apagar nada no antigo ainda.
- Coloque o site no ar no novo servidor usando um domínio temporário, IP direto ou o arquivo hosts local — teste tudo (páginas, formulários, painel admin, checkout se for loja) antes de apontar o DNS de verdade.
- Só depois do teste no ambiente novo passar, aponte o DNS (registros A/CNAME) para o novo servidor.
- Se a migração incluir e-mail, migre as contas e só troque o registro MX depois que as caixas já estiverem replicadas no destino — isso evita perda de mensagens durante a janela de propagação.
- Mantenha o site antigo no ar (sem apagar) por pelo menos 48–72h após a virada, como rede de segurança caso precise reverter.
Validação pós-migração
Depois que o DNS propagar, confira sistematicamente — não confie só em "abriu no meu navegador", porque cache local e DNS já propagado pra você escondem problemas que outros visitantes ainda têm:
- Propagação de DNS em múltiplas localizações (ferramentas públicas de checagem de DNS mostram isso por região).
- Certificado SSL válido no novo endereço, sem aviso de "conexão não seguros".
- Formulários de contato e checkout completando de ponta a ponta, incluindo o e-mail de confirmação chegando.
- E-mail enviando e recebendo normalmente (teste os dois sentidos, não só o envio).
- Todos os subdomínios (loja, blog, painel, API) respondendo no novo servidor.
- Redirects 301 de URLs antigas, se a estrutura de URL mudou.
- Performance comparável ou melhor que antes (tempo de resposta do servidor).
Tempos reais por tipo de site
Os tempos variam com o volume de dados e a complexidade, mas como referência:
| Tipo de site | Transferência de arquivos/banco | Propagação de DNS (com TTL baixo) |
|---|---|---|
| Site institucional simples | 15–30 minutos | 5–30 minutos |
| WordPress com poucos plugins | 30–60 minutos | 5–30 minutos |
| Loja virtual (WooCommerce, etc.) | 1–3 horas | 5–30 minutos |
| Aplicação com banco de dados grande (vários GB) | 3h ou mais | 5–30 minutos |
Em todos os casos, a propagação de DNS é o mesmo intervalo curto — porque depende do TTL, não do tamanho do site. O que muda é o tempo de transferência dos dados, que acontece antes da virada e não derruba o site atual.
O que pode dar errado — e como reverter
| Problema | Causa comum | Como reverter |
|---|---|---|
| Site fora do ar após a virada | Configuração incompleta no novo servidor (banco de dados, permissões, .htaccess) | Aponte o DNS de volta para o servidor antigo (que continua no ar) enquanto corrige o novo ambiente |
| E-mails não chegam | Registro MX trocado antes das caixas serem replicadas no destino | Reverta o MX para o servidor antigo até confirmar que todas as mensagens foram sincronizadas |
| Erro de certificado SSL | Certificado não reemitido/reinstalado no novo servidor antes da virada | Emita o certificado no destino antes de apontar o DNS definitivamente — por isso o passo de teste prévio é importante |
| Parte dos visitantes ainda cai no site antigo | TTL não foi reduzido com antecedência suficiente | Aguardar a propagação natural (pode levar até o TTL original); é o motivo de reduzir o TTL dias antes |
Por isso o site antigo deve continuar no ar por alguns dias após a virada: reverter o DNS é rápido (minutos, com TTL baixo) desde que o ambiente antigo ainda exista.
Prefere não fazer isso sozinho? Nossa equipe cuida de toda a migração — arquivos, banco de dados, DNS e e-mail — com o mínimo de downtime possível.
